eu odeio dias como hoje em que eu sinto como se não houvesse chão algum sob meus pés. é como se eu convidasse meu demônio pra deitar comigo na cama e esperasse ele me matar quando eu dormir. mas ele nunca faz - como se soubesse que a vida me agoniza mais que a morte. e eu continuo a deriva esperando uma salvação sair de qualquer buraco na terra e me alcançar com todos os dedos. como se eu colocasse fogo em mim mesma esperando um incêndio que nunca vem. minha mente nunca se acalma e mesmo assim eu sou vazia. o vazio me mata. e na manhã seguinte eu acordo outra vez com a cabeça doendo como se fosse explodir e volto pro céu cinza mesmo azul. uma caminhada sem fim pra lugar nenhum por um caminho que corre em círculos. eu sou o fracasso interminável.
“Eu não sei por que eu estava triste naquele dia, só sei que eu precisava de ajuda e ninguém notou.”— Eu me chamo Kadu.